Crítica - Era uma vez...em Hollywood

Em seu nono filme, Tarantino faz uma interessante viagem à Hollywood eternizada no imaginário coletivo.


📷Sony Pictures / Divulgação


Conhecido no mundo do cinema por seu estilo marcado por muita violência e uma forma diferente de abordagem em seus roteiros, o diretor Quentin Tarantino, neste filme, que é o nono de sua carreira, mantém o estilo que o consagrou, mas entrega um produto final surpreendentemente mais "leve" e agradável do que a maioria de seus trabalhos anteriores.

A Hollywood que se descortina diante do espectador é aquela cidade glamourosa e vibrante, que ficou eternizada no imaginário de muitas pessoas e criou uma aura de sonho a sua volta. Com cores quentes e agradáveis, a fotografia ajuda na construção do clima despojado e divertido dos estúdios de cinema no final dos anos 60. Ali, acompanhamos o astro de TV Rick Dalton (Leonardo di Caprio) e o seu dublê, Cliff Booth (Brad Pitt), tentando lidar com as mudanças dos grandes estúdios da cidade.

Numa mistura de eventos fictícios em meio a personalidades reais retratadas na tela, temos por exemplo a figura da atriz Sharon Tate (Margot Robbie), e seu marido na época, Roman Polanski (Rafal Zawierucha) em meio à festas regadas a muita curtição com outras personalidades da época também representadas no filme, como Steve McQueen e até Bruce Lee. O roteiro se desenvolve em um clima alto astral ao passo em que acompanha de pertinho os dramas cômicos de Rick Dalton e seu dublê.


📷Sony Pictures / Divulgação

Leonardo di Caprio e Brad Pitt estão ótimos em cena, e dividem o protagonismo enquanto Margot Robbie empresta sua beleza e encanta os olhos na representação da figura icônica de Sharon Tate para a época. A ambientação está excelente...e o clima onírico dado à cidade dita o ritmo do filme. 

Com a personalidade do diretor pincelada levemente na maior parte do filme, alguns elementos como a tara de Quentin por pés femininos explicitada em algumas cenas nos situa e nos leva a compreensão de que estamos diante de um legítimo produto tarantinesco. A visão geral, é a de uma carta aberta de amor à cidade e à época. Nos momentos finais...somos lembrados definitivamente de quem comanda o projeto, já que a leveza inicial dá lugar a deliciosa histeria sanguinolenta do diretor, que soa propositalmente mais cômica do que qualquer outra coisa.

Evitando spoilers, para quem conhece o famoso e triste caso que marcou o período em questão, o desfecho alivia a realidade e deixa a sensação de um legítimo conto de fadas nos corações dos amantes de filmes. Excelente!

Trailer :


Crítica - Era uma vez...em Hollywood Crítica - Era uma vez...em Hollywood Reviewed by Adriano Rezende on março 25, 2020 Rating: 5

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