Crítica | Suspiria - A Dança do Medo

Filme é dirigido por Luca Guadagnino, e é uma refilmagem do clássico italiano homônimo de 1977 dirigido por Dario Argento


 📷PlayArte Pictures/Divulgação


O cinema de terror, de uns tempos pra cá, vem se beneficiando bastante com o surgimento de novos diretores, e a incursão de outros profissionais que dificilmente imaginaríamos ver envolvidos em produções do gênero. Isso gerou um “buzz” positivo, e fez a grande audiência, como um todo, prestar mais atenção nas produções atuais de terror, o que antes se limitava somente aos fãs do estilo.

Luca Guadagnino (Me Chame Pelo Seu Nome), é o mais novo cineasta a fazer parte deste fenômeno, com o filme Suspiria – A Dança do Medo. Apesar de não ser um novato (iniciou sua carreira como diretor em 1999 com o filme The Protagonists), essa é a primeira investida do diretor no cinema de horror.

O filme é uma adaptação do clássico italiano Suspiria, de 1977, do cineasta Dario Argento, e acompanha Susie Bannion (Dakota Johnson), uma bailarina americana que vai estudar em uma prestigiada companhia de dança em Berlim, onde começa a suspeitar da existência de um clã de bruxas no local.

Além de Dakota Johnson (Cinquenta Tons de Cinza), também estão no elenco Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre o Kevin), e Chloe Grace Moretz (Se Eu Ficar). Tilda, a propósito, está muito bem na pele de Madame Blanc, matriarca da companhia. Há um certo magnetismo na interpretação da atriz, que não permite que se desvie os olhos enquanto ela está em cena.

Algo bastante discrepante, se comparadas as duas versões do filme, é a duração. Enquanto o projeto original, de 1977, tem 95 minutos, a adaptação de 2019 conta com 152 minutos. As mais de duas horas e meia de projeção deixam o filme um pouco cansativo em alguns momentos, mas nada que comprometa o resultado final. Parte desse tempo se deve à paixão do diretor por closes e aproximações de câmera. Guadagnino parece querer revelar a tensão do filme aos poucos, passeando com a câmera em detalhes do cenário e dos atores.




  📷PlayArte Pictures/Divulgação

Uma das coisas que chamam a atenção no projeto, é o cuidado do roteiro em fugir do óbvio que se espera em um filme de horror. Aqui não existem “jump scares” bobos, com a única intenção de fazer os espectadores pularem das cadeiras. O terror é psicológico. Sombrio. O clima é cuidadosamente construído, com a ajuda de uma fotografia escura e cinzenta, que beira o claustrofobia. Juntamente com Susie, vamos descobrindo aos poucos os segredos do casarão que abriga a companhia.

Uma vez introduzida a atmosfera de que “algo não está certo”, a audiência vai sendo preparada para o horror que está por vir. Algumas cenas são pesadas, e desconfortáveis . Uma em especial, que mostra uma espécie de “vodu” interligando duas bailarinas, enquanto uma delas apresenta uma coreografia forte e pulsante, e a outra se contorce violentamente devido aos movimentos da coreografia, é de deixar incomodado até o mais resistente fã do gênero. A bruxaria é apresentada de forma crua, com sacrifícios e muito sangue, mostrando o sentido mitológico e deixando de lado as fantasias bobas de bruxas que o cinema gosta de empurrar hora ou outra.

Destaque para a trilha sonora, composta especialmente por Thom Yorke, do RadioHead, que casa perfeitamente com a ambientação sombria que o filme propõe. Outro ponto a ser destacado (mais uma vez), é a atuação de Tilda Swinton. A atriz foi polivalente, e encarnou nada menos do que três papéis neste filme: Madame Blanc, Helena Markus, a matriarca centenária da companhia, e o psiquiatra Dr. Joseph Klemperer, figura importante na resolução do mistério que o casarão esconde. Simplesmente genial!

Como um todo, Suspiria funciona bem, e se mostra competente.

O filme é distribuído pela PlayArte Pictures, e entrou em cartaz hoje (11), nos cinemas brasileiros.


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Crítica | Suspiria - A Dança do Medo Crítica | Suspiria - A Dança do Medo Reviewed by Adriano Rezende on abril 11, 2019 Rating: 5

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